segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Notas paralelas.



Sinto o cheiro salino em minhas narinas. Os íons dissolvidos no ar excitam meus neurônios e um impulso percorre meus feixes nervosos conduzindo... **Information**. O mar. O horizonte susurra meu nome. Não sou um marujo nato. Meu coração pertence a terra. Essa grande massa, ilusoriamente inabalável, ilusoriamente estável. Não resta dúvidas que o mar é ondas, marés, fluidez óbvia, imprevisível. São sempre esses os signos que relacionam os elementos. Parecem esquecer – a grande maioria dos intérpretes – que se para nós a terra parece simbolizar segurança e solidez, ela também não escapa a suas prorpias ondas. Lentas, quase imperceptíveis na maioria do tempo. Criando montanhas, vales, depressões. Também é na terra que nascem os vulcões, esses demônios cuspidores de fogo e fumaça do interior da terra. Eventualmente as ondas da terra fogem às nossas previsões habituais. E Abalam a superficie. O terremoto é uma lembrança para nós de que nada... nada é inabalável e quanto mais sólido - aparentemente – menos efetiva será qualquer resistência. Ao mar se mergulha, surfa, e veleja-se pelas ondas. Ao chão, não há como escapar. Espere passar e espere sobreviver, sua chances se resumem a evitar ser soterrado, ou engolido. E só.
Mas o horizonte susurra meu nome. Não grita. Nosso destino poucas vezes faz mais que isso. Susurrar. Eu sei que o mar não é meu lugar. Mas ainda é um lugar. E preciso ir. Uma duas dez vezes. Também existe terra embaixo do mar. Ou não. Quiçá apenas por ir. Porque ainda que minhas raizes estejam fortes e confortáveis entranhadas nas carnes da de Gaia, meus ramos precisam do infinito. E o mar também me chama. E o ar. E o fogo, o abismo e o paraíso.
Um susurro de um passado longínquo, me chama. Estou na terra, mas sou as águas. As águas que numa configuração toda especial, saturada em carbono e ácidos (ah os ácidos, essa categoria tão especial que permitiu da vida à transcendência) se replicaram, integraram, interagiram e evoluíram num processo simbiótico. Entre si. Entre o todo. E chegaram aqui. Na terra. Apenas água. Águas vivas. Sonhando com o infinito. E seus paraísos.

O sol já se ergueu. Hora de içar velas. Não adianta esperar os que partiram. Não adianta esperar os que não desejam ir. O coração carrega suas tristezas feridas, mágoas. Mas o espírito continua forte, indomável. E lembra ao coração que ele também tem amor, lembranças e esperanças. Assim como a terra e suas ondas silenciosas, seus repentes de fúria e revolução, suas fendas flamejantes cuspindo o magma das entranhas, o mar de fogo sobre o qual repousa a fina “casca de ovo” onde tão ingênuamente significamos o imutável. Olhando por esse ângulo, surfar num mar de fogo em cima de um pedacinho de pedra não me parece o melhor jeito de se conseguir segurança e conforto. Esporte radical. Dos bons.

Ao mar, ao infinito, e ao próximo porto. Até um novo salto. Um novo vôo. um novo horizonte. Come togheter!!! o céu não é o limite.


Ps.: ressignifiquei meu elemento. Sou mesmo da terra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário